Uma semana antes fui apresentado a um brother que mora perto da minha nova casa.
Naquela noite, 09 de Maio de 2006, senti que algo de estranho estava por acontecer. Enquanto descia a rua de acesso a casa dele, a garoa fina tinia no ouvido, deixando gotículas na pele facial e tirando a visibilidade da rua paralela. Um frio muito forte.
Cheguei onde apetecia: na casa do tal cara. Logo saquei que ele estava cercado, nas nuvens. Confessou-me. Apresentou-me sua casa que por sinal é muito simples e, senti que fui muito bem recebido.
O cara estava de saída. Saímos daí uns 3 minutos. Havia me dito que seu pai continuava na U.T.I. – com uma das pragas do século: câncer -, e por estar muito chateado, sairia àquela noite pra espairecer.
Não vi muito sentido em suas atitudes, mas não palpitei. Sua fissura era tanta que toda hora me perguntava se eu tinha 1 cruzeiro para lhe emprestar. Entre um quarteirão e outro, ele fez 4 vezes a mesma pergunta:
-Tem 1 cruzeiro ai? Porra meu! Quero fumar uma porra de um cigarro e não 1 cruzeiro. Foi exatamente assim que ele disse.
O cigarro era o alvo. Eu estava apreensivo por ele. Só consegui respirar quando um rapaz que estava fumando e que vinha em direção contrária a nós, cedeu-lhe um cigarro.
Na esquina daquela rua eu estremeci. Estávamos articulando palavras sobre crença religiosas. Repentinamente fiquei angustiado. Meus olhos lacrimejaram quando ele me disse:
-Vamo lá em casa que eu quero te mostrar um negócio.
Continuação - Parte 2: U.T.I. x Noite Lúgubre, não faça isso
Detalhe, ele ia pra noite e isso nos fez voltar a sua vivenda.
-Vamos - balbuciei.
Seus passos ligeiros chamaram minha atenção. Quando chegamos defronte com um dos portões de sua morada, não hesitou em abri-lo, já foi logo entrando e deixando passagem livre pra mim.
Na próxima porta, lá estava. Uma carta da vizinha:
-Vá até o hospital. Seu pai não está bem.
Fiquei em silêncio. Uma espécie de vertigem percorreu todo meu corpo estagnando no peito. Ele ficou desesperado e disparou rumo ao hospital.
Ontem, fui até na casa dele. Não estava. Perguntei pra vizinha:
-E o pai dele? Está bem?
-Ele faleceu antes de ontem.
Quando cheguei em casa o meu pulso tratou de garatujar essas linhas antes de aqui divulgá-las. Não só senti como registrei. Eu sei, foi um aviso divino.
No Domingo, dia 07/05, estava tudo certo pra eu ir com os amigos no Show do ZecaBaleiro. Eu, muito animado. Apenas uma ligação mudou tudo.
Soube que o irmão de uma amiga minha estava internado. A primeira vez que vi esse rapaz achei-o um cara muito bacana, apesar de fechado. Conversando, descobri que ele gosta das mesmas coisas do que eu: de Artes, Músicos como Bob Dylan's, TheDoors, David Bowie, Nação Zumbi, Alceu Valença, etc...
De fato, depois de um surto, ele foi parar numa clínica psiquiátrica. Conseqüência da dependência de erva alucinógena. Chegou a tarde e tentou fugir na matina e ao pular o muro, se estatelou de cinco metros de altura fraturando os dois tornozelos. Transferiram para um hospital. Senti que precisava visitá-lo. Cancelei minha ida ao Show e fui até o hospital. Isso era umas 17h30, numa tarde cinzenta e fria de Domingo.
Não gosto de hospital. Acho um lugar terrivelmente macrabo, obscuro. Sempre tenho essa sensação quando entro em um. Mas fiz um esforço e fui até lá. Pra começar, o horário de visita ia até às 15h e com toda a "manha" driblamos os enfermeiros e atingi o 4º andar na sala 440.
Por estar num hospital, assim que entrei no quarto, lembrei de uns dos meus livros favoritos. Cheguei animando-o tentando quebrar aquele clima que pairava pelo ar. Vi que estava meio recatado, normal, depois do ocorrido já podíamos esperar. Eu, ele, a Mãe e minha amiga; todos no mesmo leito. Num determinado ponto do diálogo que estabelecíamos, falei sobre o livro:
-Foi no dia 14 de Dezembro de 1980 que tudo aconteceu com Marcelo Rubens Paiva.
-O quê - ele perguntou.
-Um dos livros que mais gosto: “Feliz Ano Velho”. Irei te emprestar. Vou deixar com sua irmã e ela traz pra você.
Minha intenção foi encorajá-lo e mostrar que terá uma longa terapia pela frente, a de fisioterapia após a cirurgia e a recuperação da vida sem química. Ontem levei o livro.
De uma forma ou de outra estarei com você! Sei que conseguirá.
Estou lendo "O caçador de pipas" de Khaled Hosseini. Havia comentado com uma pessoa que a capa me atraiu muito e, por alguns segundos me recordei da velha infância em que passa as tardes a fio afiando bambus da vareta central e as outras duas que se cruzavam para fazer a armação, cortando o papel finíssimo, indispensável para a pipa debicar e voltar a subir com facilidade. Com meu amigo Beto, carioca nato, apelidado de CARIOCA, participava dos campeonatos de pipa que sempre tinha na minha cidade mineira. Fazíamos umas belas pipas gigantescas. Saudades do meu amigo carioca. Por onde andares, que Deus o tenha.
No natal de 2005 fui surpreendido por essa pessoa. Ganhei de presente o livro que eu tanto queria e só agora consegui tempo para folhear.
- Acho que vou enlouquecer com tanta coisa pra fazer.
Mas entre uma viagem e outra, o pipeiro está debaixo do braço.O livro traz uma narrativa insólita e eloqüente sobre a frágil relação entre pais e filhos, entre os seres humanos e seus Deuses, entre os homens e sua pátria. Uma história de amizade e traição, que nos leva dos últimos dias da monarquia do Afeganistão às atrocidade de hoje. Retratando o Afeganistão até a ditadura fundamentalista do Talibã, o Romance expressa uma poderosa crônica da vida no pais.
Antes lê-lo, recomendo que esteja bem consigo. Senão, você vai se emocionar a cada página virada.
TÍTULO O Caçador de Pipas AUTOR Khaled Hosseini TRADUÇÃO Maria Helena Rouanet EDITORA Nova Fronteira PREÇO E PÁGINAS R$ 34,90/368
Quase ninguém me viu ou falou comigo, a não ser nos compromissos inevitáveis. Falei com poucas pessoas. Desliguei meu celular quando começou a tocar. Cheguei em casa, joguei minha mala e sai.
Fui até a região dos Jardins, andei por lá, nas Alamedas. Senti necessidade de ficar um pouco sozinho e definir alguns focos pra minha vida. Mais um ano que se foi entre vitórias e derrotas. Isso é comum entre todos.
Mais tarde, quando olhei pro relógio da Avenida em que eu transitava, já era 22h42. Encontrei-me tomando um Açaí pra variar. Fiquei por lá um longo tempo. Quando cheguei em casa às 1h00 AM, como sempre, meu cachorro Wolfgang me recebeu muito alegre.
“Passaram-se 20 e X anos e eu nem percebi, mesmo tantas coisas tendo acontecido”.Parece que um novo ano iniciou-se ontem.
Você que está acostumado passar por aqui, não se espante. As mensagens anteriores não sumiram. É que agora virei cliente UOL e tive que criar um novo endereço para anexar as mensagens antigas. O endereço do meu blog continuará sendo alexandrebitencurt.zip.net, mas se você quiser visualizar as mensagens anteriores, publicadas de 24/07/2005 a 29/04/2006, vai ter que acessar endereço eletrônico alexandre-bitencurt.zip.net
NOME: Alexandre Souza Bitencurt NOME ARTÍSTICO: Alexandre Bitencurt IDADE: 21 anos CIDADE: Nascido em Cataguases / MG, vive atualmente em São Paulo. PROFISSÃO: Ator ANIVERSÁRIO: 02/05/1985 ARTISTAS: Morgan Freeman, Johny Depp, Tom Hanks, Robin William's, Frank Sinatra, Rita Hayworth, Paulo Autran, Denise Weimberg, Grande Otelo, Marco Nanini, Marieta Severo, Luiz Damasceno, Rogério Cardoso, Diogo Vilela e Selton Mello. SOM QUE APRECIA: The Doors, Bob Dylan, David Bowie, Iggy Pop, Tears For Fears, The Beatles, The Rollings Stones, Radio Head, Charlie Parker, Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Jorge Ben, Cordel do Fogo Encantado, Gilberto Gil, Radio Taxi, A Cor do Som, Beto Guedes, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Lobão, Lô Borges, Milton Nascimento, Zeca Baleiro, Raul Seixas e Flávio Venturini.