No hospital o cara estava pelado no chão, se agarrando na fronha da cama. A mulher havia dado três tiros, um pegou na boca outro no sofá e no ombro. "Levar um tiro na boca, conta muito, porque foi na cabeça que miraram". O cara gemia. Estava inchado, difícil de saber a idade, mas não era velho. Todo mundo reclamando, muita reclamação eu sinto: da bailarina esfomeada ao estudante de aritmética, do lixeiro ao escultor. O século da reclamação, a maior parte por dinheiro. E não adianta, todo mundo se comportando como beatas apaixonadas se beliscando pelo mesmo padre, neste caso o bezerro de ouro, punhal no rosto de Cristo um beijinho na pata dourada. Eu não tenho inveja de nada porque os meus culhões ainda sobraram dentro desta roupa que se rasga. O fenômeno faz mais de dez anos, depois de ter praticado a arte do Kung-Fu de Santo André (fui quase faixa-preta, derrubado apenas por um par de discos do Iron Maiden e o amor eterno de uma garrafa de cachaça de Minas), culpa de um chinês que imigrou para São Paulo e depois mandou uma praga de gafanhotos para Niterói, eu não tenho inveja de porra nenhuma desde então - apenas tento fazer the ends meet, uma ótima expressão da língua inglesa que remota o tempo da fábrica de salsichas onde os trabalhadores enchiam as tripas ajustando e calculando a banha do porco até o fim, expressão que por isso mesmo significa fazer com que o pouco de dinheiro que você ganha dure exatos trinta dias, um mês agarrando o outro, bateu o negativo na conta, pinga no mesmo dia mais uns trocados até o outro mês, estes, os fins se encontrando. Então quem não leu os Koans dos monges budistas, muitos livros budistas, Thoreau, Frankstein-mongol, e não entendeu os trinta dias de Cristo no deserto fica fracão e reclama. O rapaz reclamava não só pela falta de dinheiro mas pela idéia de que a mulher queria explodir a sua cabeça. "Mas o tiro pegou na boca!", eu tentava confortar o estraçalhado. Fala aqui no furo da minha cabeça, ele insistia. Posso escrever sobre a nossa conversa? - eu perguntei. "Você vai falar que a minha mulher Sonja Hansson me deu um tiro na cabeça?" Vou, eu disse. "Então pode escrever. Mas antes me jogue pra cima desta merda de cama!" Então, existe muita gente fodida por aí, hoje é ainda dia 27, já levei uma sacola de latas vazias para trocar por dinheiro e a mulher do cara deu-lhe um tiro na cabeça.
Nunca tinha assistido. Acabei de chegar. Fui assistir uma luta de Vale-Tudo e Muay Thai, arte marcial tailandesa. Conclui que não é muito minha praia. Talvez, aquietado no meu recanto, a vitrola girasse Beto Guedes e freasse Chico Buarque, essa noite seria mais interessante. Rabiscado por Bitencurt às 00h33
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Hoje vou ao teatro. Assisterei a peça "Junior, a filha que a mamãe sempre quis!!!". Fui convidado pro uma amiga e estarei hoje lá no Teatro Maria Della Costa.
Esse é meu filho "Wolfgang Bitencurt". Ele mora comigo, acorda comigo, passeia comigo e dorme comigo. Me faz companhia em todos os momentos. É amigo de todas as horas. Quando tirei essa foto, ele não parava quieto. Com muito custo consegui fazer com que ele contesse sua alegria de sempre, pra finalmente tirar a foto. Eu te amo Wolfgang!
Onde moramos, Wolfgang já tem um fã clube. Por onde passa, se encarrega de deixar seu charme. Muitos se encantam com sua beleza rara.
O engraçado é que quando mostrei-lhe essa foto, ele ficou assustado. Quando acariciei a foto na tela, e chamei-a de coisa linda, ele ficou todo enciumado e latiu pra mim todo alvoroçado. Ele é lindo!
Dizem que os cachorros têm a cara dos donos... Ele não parece comigo?
Quando ele tinha 4 meses e alguns dias. Wolfgang nasceu em São Paulo, dia 20 de Outubro de 2005.
Faço questão de reproduzir o que minha amiga Janaína me escreveu. Garota de sensibilidade fantástica!
A vida tem surpresas pra gente que estão guardadas. A fase ruim vem, mas a boa logo chega. Se quiser ficar só, fique. Direito e necessidade sua. Só não deixe de acreditar que vc é brilhante e grandioso! Conta comigo... um bjo!
Hoje não fiz nada, quer dizer, quase nada. O que tem de pior no mundo é ser mal recepcionado, principalmente por pessoa que fizeram parte da história. Digo, por antigos amigos...
Ando pensando 1000 vezes antes de tomar uma atitude. Têm pessoas, que pelo simples fato de não escutar, é melhor você pensar 1 trilhão de vezes antes de lançar-lhes uma sílaba. Deveria tem deixado esse dia ter passado em branco, eu bem que fui avisado.
Faça o quiser! Vá para o exterior, convide o carcereiro da Febem, diga o que nunca disseste, pois sua ignorância abundante atravessou minha garganta. Não escute ninguém. Meta a cabeça na porta e esmague o cérebro e ver se amolece. Mesmo assim, acho difícil conseguir êxito.
Travarei a boca. Não terei mais ouvidos. Esquecerei todas as datas. Me livrarei de tudo!
Assim como o dia 11 de Setembro ficou terrivelmente marcado pelo atentado as torres gêmeas, o dia 20 de Setembro é um dia muito importante pra mim. Não como terror, mas sim como um macro de coisas bacanas que compartilhei.
Não sei como seria comemorado. Tentei imaginar. Mas foi impossível, pois as atitudes desumanas me impediram. Não imagino como seria minha vida hoje. Só sei que foi de 90º a 180º graus. Talvez fossem 3 anos de uma sólida parceria, ou talvez não. Minha carta que um dia foi muito elogiada, hoje, empoeirada, faz parte das coisas contemplam a nostalgia.
Ando meio sumido do mapa. Quando as pessoas por acaso me encontram, essa é a primeira frase que eu escuto.
Peço desculpas por não ter rabiscado por aqui nesses últimos tempos. Prometo que falarei mais sobre mim. Já que recebi alguns e-mails me pedindo pra falar mais sobre minha vida.
Tenho atuado como Assistente de Produção, numa peça do Rubens Ewald Filho. Eles irão apresentar “Hamlet” em visão Budista. E, só..
Ultimamente tem me acontecido muitas coisas ruins e poucas boas. Acredito que todos já passaram por fases similares. Às vezes, não sinto vontade de nada, de não falar com ninguém, arrancar o fone da tomada, desligar o celular, desaparecer... E, instantes depois, já quero fazer tudo acontecer, ver todos, falar com meus amigos, tomar minha cerveja, falar com meu amor... No meu mundo, o estado de inércia predomina e a vontade de me distanciar daqui, vai além da vidinha calma no meio do mato do meu amigo “Quel”, que não sei nem por onde andas. Tento lutar contra essas variações de emoções e sei que vão passar.
Não estou num momento legal. Relendo isso, percebo que não tenho nem expiração pra escrever. Merda...
NOME: Alexandre Souza Bitencurt NOME ARTÍSTICO: Alexandre Bitencurt IDADE: 21 anos CIDADE: Nascido em Cataguases / MG, vive atualmente em São Paulo. PROFISSÃO: Ator ANIVERSÁRIO: 02/05/1985 ARTISTAS: Morgan Freeman, Johny Depp, Tom Hanks, Robin William's, Frank Sinatra, Rita Hayworth, Paulo Autran, Denise Weimberg, Grande Otelo, Marco Nanini, Marieta Severo, Luiz Damasceno, Rogério Cardoso, Diogo Vilela e Selton Mello. SOM QUE APRECIA: The Doors, Bob Dylan, David Bowie, Iggy Pop, Tears For Fears, The Beatles, The Rollings Stones, Radio Head, Charlie Parker, Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Jorge Ben, Cordel do Fogo Encantado, Gilberto Gil, Radio Taxi, A Cor do Som, Beto Guedes, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Lobão, Lô Borges, Milton Nascimento, Zeca Baleiro, Raul Seixas e Flávio Venturini.